segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Não estava à espera


Não estava à espera.
Não estava nada à espera.
É domingo, final de tarde já.
Os dias são já maiores e começam a dar os primeiros passos para a sua idade maior, mas neste domingo de fevereiro, o meu espírito encarnava um dia triste e frio.
Nem a luminosidade que começa a empurrar o dia para a frente, forçando o encontro com a noite para mais tarde, me alentava.
Estava num estado de desencanto e de quase sonolência, quando um breve olhar para um texto perdido numa página de um caderno de notas, tornou o tempo que desse domingo restava, num inesquecível final de dia.
Era uma simples nota que escrevi em janeiro de 2011, sobre a saudade que sentia dos silêncios do meu pai, durante as nossas conversas.
Recordo-me do cumprimento, das questões de sempre, das pausas e do seu sorriso.
E de repente, esses silêncios e essa saudade que continuo a sentir, parecem ter-se integrado na minha vida, não sendo, por isso, estranhos.
Este domingo encontrou já a noite e foi, afinal, um dia agradável.
Não estava nada à espera.
Não estava à espera.






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