Não estava à espera.
Não estava nada à espera.
É domingo, final de tarde já.
Os dias são já maiores e começam a
dar os primeiros passos para a sua idade maior, mas neste domingo de fevereiro,
o meu espírito encarnava um dia triste e frio.
Nem a luminosidade que começa a
empurrar o dia para a frente, forçando o encontro com a noite para mais tarde,
me alentava.
Estava num estado de desencanto e
de quase sonolência, quando um breve olhar para um texto perdido numa página de
um caderno de notas, tornou o tempo que desse domingo restava, num inesquecível
final de dia.
Era uma simples nota que escrevi em
janeiro de 2011, sobre a saudade que sentia dos silêncios do meu pai, durante
as nossas conversas.
Recordo-me do cumprimento, das
questões de sempre, das pausas e do seu sorriso.
E de repente, esses silêncios e
essa saudade que continuo a sentir, parecem ter-se integrado na minha vida, não
sendo, por isso, estranhos.
Este domingo encontrou já a noite e
foi, afinal, um dia agradável.
Não estava nada à espera.
Não estava à espera.
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