segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Qualquer similitude entre este texto e a polémica criada em torno da lei dos mandatos autárquicos é mera coincidência


Era uma vez um Eleito Local que morava bué, bué de longe, numa terra chamada Infracção.
Nessa terra, conhecida em todo o lado, por ser um paraíso para a bagunça, nunca ninguém era punido, pois nela reinava a Desordem e o Caos.
Os seus habitantes, os Infractores, eram todas pessoas com vasto curriculum em violações várias e, por esse facto, quem mais violava mais bem visto era.
O Eleito Local, como qualquer outro Infractor  havia feito o seu percurso na escola do Caos e havia sido bem-sucedido, vivendo tranquilo e descansado.
Na sequência de uma tempestade que assolou a Infracção por dias e dias a fio, apareceu por aquelas bandas, vindo de uma outra terra bué, bué de longe, chamada Contra Ordenação, um cidadão de nome Procedimento.
 Tratou logo de se apresentar ao Eleito Local e depois de uma longa conversa que mantiveram, perceberam que não se iriam dar assim tão bem.
Existiu entre eles, assim como que uma Incompatibilidade.
Como as relações entre o Eleito Local e o Procedimento desta história não corriam de feição, consideraram adequado ouvir em Referendo Local, os Infractores.
Mas para que pudessem recorrer a este instituto, considerou o Procedimento que não seria suficiente reunir os Infractores na praça principal da terra e fazer-lhes uma pergunta qualquer à qual responderiam de braço no ar, como pretendia o Eleito Local.
Porque pensava assim, o Procedimento convenceu o Eleito Local a auscultar os serviços de uma entidade que funcionava ao arrepio da bagunça e do caos que reinava na Infracção e que se chamava Comissão.
Era uma entidade que resistia estoicamente na terra da Infracção ao Caos e à Desordem.
A pergunta elaborada pelo Eleito Local era imperceptível e dizia mais ou menos isto:
Podem os Infractores adoptar um outro tipo de conduta e mesmo assim manterem o nível de vida e mordomias de que têm vindo a usufruir?
Como o pedido não vinha subscrito pelo Eleito Local, logo uma das funcionárias mais aguerridas e fiéis ao serviço da Comissão, tratou de o devolver à Infracção  para que a questão fosse subscrita por quem de direito.
Esta solicitação da Comissão, gerou estranheza na Infracção  pois desde há muito que não se ouvia por aquelas bandas a palavra “ direito”.
Mesmo assim, lá reformularam o pedido à Comissão, apelidando-o de urgente porque a data do Referendo Local se aproximava.
 A questão foi então distribuída a um dos elementos mais novos da Comissão, que entre 3 ou 4 pacotes de bolachas que consigo partilham a secretária, começou a afetar o seu tempo à questão.
Depois de milhentas consultas às bases de dados, depois de centenas de anotações a lápis nos papéis de rascunho, depois de ter acabado o stock de bolachas, que depois de reposto voltou a esgotar e após uns breves minutos de conversa com os colegas, começou a surgir a tão esperada resposta ao Eleito Local.
As 15 primeiras páginas da resposta eram um verdadeiro tratado sobre a Condição Humana e só podiam ser escritas para aqueles Requerentes.
Depois, surgiram as habituais sub hipóteses que costuma enunciar no seu raciocínio.
Depois o tratamento concreto do pedido e, finalmente, dezenas de conclusões.
O tempo passa.
O Eleito Local telefona e pergunta pelo pedido.
Digam ao Infractor que a resposta chega pra semana, alguém grita.
Finalmente, num qualquer dia ao final do tarde o parecer é despachado.
Finalmente o parecer é remetido à Infracção.
Depois de lido e não percebido, o Eleito Local, que entretanto havia andado em campanha junto dos demais Infractores, resolveu não adoptar o entendimento transmitido pela Comissão.
Os dias passam em Infracção e sucedem-se os temporais…


Não estava à espera


Não estava à espera.
Não estava nada à espera.
É domingo, final de tarde já.
Os dias são já maiores e começam a dar os primeiros passos para a sua idade maior, mas neste domingo de fevereiro, o meu espírito encarnava um dia triste e frio.
Nem a luminosidade que começa a empurrar o dia para a frente, forçando o encontro com a noite para mais tarde, me alentava.
Estava num estado de desencanto e de quase sonolência, quando um breve olhar para um texto perdido numa página de um caderno de notas, tornou o tempo que desse domingo restava, num inesquecível final de dia.
Era uma simples nota que escrevi em janeiro de 2011, sobre a saudade que sentia dos silêncios do meu pai, durante as nossas conversas.
Recordo-me do cumprimento, das questões de sempre, das pausas e do seu sorriso.
E de repente, esses silêncios e essa saudade que continuo a sentir, parecem ter-se integrado na minha vida, não sendo, por isso, estranhos.
Este domingo encontrou já a noite e foi, afinal, um dia agradável.
Não estava nada à espera.
Não estava à espera.






terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Grândola

Grândola
Grândola aqui , Grândola ali e até já se ouviu Grândola em Madrid.
Grândola não importa aonde.
É  importante que estes cantores da  Grândola em janeiro e fevereiro
se recordem que a cantam, porque alguém deixou este país sem dinheiro

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

São desconhecidos...


Caiu fragmentado e provocou o caos.
É verdade, as imagens falam por si.
E agora durante quanto tempo ouviremos falar da queda do meteorito?
Mas quantas vidas não têm vindo a cair fragmentadas pelo uso da força do próprio Estado que as deveria defender?
Ninguém parece ouvir o barulho dessas quedas.
Ninguém parece ver o caos que se foi instalando aqui e ali, numa qualquer parte do globo.
Querem ver crateras? Olhem para o resultado dos bombardeamentos na Síria.
Ninguém parece interessar-se pelos que ali caem fragmentados .
Ninguém parece....
São desconhecidos.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Coragem


Li há instantes que S.S. o Papa Bento XVI, comunicou à igreja que resigna por razões de sáude.

Corajoso este seu ato e que nos interroga .

Interroga-nos, porque não estamos habituados a exercícios de clareza e verdade, nos tempos que correm.

A assunção deste ato deve permitir-nos, pois, refletir sobre as condições que todos nós temos para o exercício dos cargos que nos são confiados.

Se concluirmos que já não temos condições para esse exercício , então sejamos claros e verdadeiros e permitamos que outrem o desempenhe.


Sejamos corajosos.

 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Bons ensinamentos

Ensinava assim o Profº Ernâni Lopes:

"É importante que aprendamos a substituir o facilitismo, pela exigência.
A vulgaridade pela excelência.
A moleza pela dureza.
A golpada pela seriedade.
O videirismo pela honra.
A ignorância pelo conhecimento.
A mandriice pelo trabalho.
A aldrabice pela honestidade."

Esta sim, é uma receita que aplicada de forma reiterada  nos devolveria a dignidade e nos educaria como nação.

Encantamento


Só conhecemos o que nos cativa.
De que vale a vida sem encantamento?
Atrevamo-nos a encantar .

Os aflitos

Começa a ser uma constante.
Formulam-se os votos de sempre e reune-se o circo também de sempre.
Vai ser desta .
Vai ser desta que trilharemos o caminho do apuramento para um torneio qualquer , com o sucesso que pensamos já merecer.
Depois começam os equívocos, os menos bons e os maus resultados no percurso e... .
Começamos então a ter de acreditar que ainda será possível. Matematicamente, dizem.
Certo ,certo é que estamos sempre aflitos e bem mais grave do que estar aflito é demonstar que o estamos.
Começa a ser uma constante.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O Lápis e a memória das coisas


Era uma vez um lápis.
Este lápis, gostava de estar sempre pronto para contar histórias.
Tinha uma imaginação fértil e não parava nunca de escrever e deixar notas, por mais breves que fossem, sobre o sentido das suas posições.
Deixava por isso, comentários onde quer que fosse e percebia-se bem, que aquele escrito num documento qualquer, só poderia ser da autoria daquele lápis.
Era um lápis ávido de saber e o que mais gostava era que todos pudessem ler e assim melhor pudessem compreender os seus escritos.
E sobre o que escrevia este lápis?
Escrevia sobre si.
Escrevia sobre as pessoas.
Escrevia notas simples e delirantes que por momentos, agradavam a quem as lia ou ouvia.
Escrevia notas simples e também notas menos simples.
Escrevia no fundo sobre a vida.
Este lápis tinha consciência de quão efémeros poderiam ser os seus escritos.
Por isso mesmo, sempre que este lápis afiava a sua ponta, guardava, num registo quase
sacralizado, as aparas que dele eram libertadas.
As aparas, são a sua memória das coisas e da vida e, apesar de para além dele já, continuam a fazer parte deste lápis.

António, 4 de novembro de 2012

E hoje ...

E hoje ...
Vivemos mais um dia com imagens de todas as cores.
Muitas imagens de cores frias como o dia, que queremos esquecer.
Outras, de cores mais quentes, que nos deixam com vontade de nelas nos aquecermos .
E no final deste dia poderemos pensar que as imagens que criamos de nós e para os outros  foram imagens de cores quentes?
Amanhã será outro dia ...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ponto de partida

A função deste blogue é a de ser um espaço onde guardarei as aparas do lápis.
Mais do que escrever sobre o que no dia a dia me interpela e obriga a pronunciar, importa poder transmitir essas interpelações e cuidados.
Importa dar a conhecer o modo como lemos os acontecimentos e como os vivemos.
Importa, no fundo partilhar.
Seja bem vindo, sempre que por aqui passar.