Era uma vez um lápis.
Este lápis, gostava de estar sempre pronto para contar histórias.
Tinha uma imaginação fértil e não parava nunca de escrever e deixar notas, por mais breves que fossem, sobre o sentido das suas posições.
Deixava por isso, comentários onde quer que fosse e percebia-se bem, que aquele escrito num documento qualquer, só poderia ser da autoria daquele lápis.
Era um lápis ávido de saber e o que mais gostava era que todos pudessem ler e assim melhor pudessem compreender os seus escritos.
E sobre o que escrevia este lápis?
Escrevia sobre si.
Escrevia sobre as pessoas.
Escrevia notas simples e delirantes que por momentos, agradavam a quem as lia ou ouvia.
Escrevia notas simples e também notas menos simples.
Escrevia no fundo sobre a vida.
Este lápis tinha consciência de quão efémeros poderiam ser os seus escritos.
Por isso mesmo, sempre que este lápis afiava a sua ponta, guardava, num registo quase
sacralizado, as aparas que dele eram libertadas.
As aparas, são a sua memória das coisas e da vida e, apesar de para além dele já, continuam a fazer parte deste lápis.
António, 4 de novembro de 2012
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