quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A Praça

Atravessar aquela Praça vazia àquela hora, não era normal.
Era uma Praça central, viva,  em constante bulício,  e por isso, se tornava mais incompreensível o seu vazio e silêncio àquela hora.
O passo apressado e a ausência de vida na Praça àquela hora, tornavam-na pequena e apagada.
Estaria a Praça doente?
Teria ocorrido algo de inusitado?
Olhei para o relógio ... .
Faltavam doze minutos para as .... .
Não me recordo do nome da Praça.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

A última fatia.


Reinava a alegria à volta daquela mesa.
Era sempre assim.
Gargalhadas e sorrisos.
Jogos de entreter todos, ou alguns, à volta de uma mesa.
O calor da lareira que só acabava ao apagar da última luz na casa.
Família.
Sabem deliciosamente estes serões.
Sabem sempre melhor os bolos caseiros.
Quero estes dias Sempre.
Sobrou uma fatia.

(Toné, Lisboa, 22 de dezembro de 2017

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

FIM


Será possível dar FIM a um texto não iniciado?
Sempre as cores preenchiam o seu dia.
Não vivia sem cor, e no entanto, muitos dos seus dias eram a preto e branco.
Era alguém ávido de cor.
De muita cor.
Muito ávido de cor.
De tez clara.
Rosto algumas muitas vezes ruborizado pela reserva.
Ávido de cor e reservado.
Aproxima-se o natal, e mais uma vez, como nas últimas quarenta e tal vezes de que tem memória, pedia cor para os seus dias.
Muita cor.
Das cores pintadas ao longo dos anos, existem memórias.
Para a cor que busca, existe vontade.
E se este natal fosse colorido?
Se fosse, todos os outros natais poderiam ser simples como o primeiro.
Que seja então.
Azul, porque não.

AZUL.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Lembro-me tão bem...

Lembro-me... tão bem...
De entrar em pijama , numa sala de aula na escola onde a minha Mãe era professora;
De ter caído com o triciclo nas escadas da casa da Torre , e ter ficado num oito;
De ter acompanhado o meu irmão, de mão dada, no seu primeiro dia de escola primária;
Da televisão a preto e branco,  e da maneira peculiar como o meu irmão a ligava;
Das subidas e descidas de bicicleta do caminho para casa da avó, na estrada;
Das vindimas na Palorca , e da travessia acidentada do rio Douro, com o barco carregado de cestos vindimos;
De jogar à bola em plena estrada nacional;
De estar à janela em casa da avózinha ao final da tarde, à espera do regresso do Papá

Lembro-me...tão bem....

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Horas

Sempre acordava a horas.
O que o levaria a ser sempre pontual, na hora de acordar?
Religiosamente às 06 h 45 m.
Que horário, esse.
Que vida se encarregava esse horário de alavancar?
Não recordo, uma única vez que seja, ter ocorrido atraso, por brevíssimo que fosse.
Sempre às 06 h 45m.
Religiosamente.
E depois, durante todos os demais minutos do dia, ninguém por ele dava.

O despertador do vizinho está vivo.

sábado, 18 de novembro de 2017

As Palavras

As palavras somos nós.
Mostram quem somos e muitas vezes quem não somos.
Estão para os outros como o nosso complemento
e quando assim é, as palavras são alento.
Derrubam e muitas vezes ajudam.
As palavras somos nós.
As palavras quando fracas não deixam marcas.
Mas as palavras quando fortes, como o aço, constroem e dão um abraço.
Um abraço de palavras.


novembro de 2017

antónio



quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Ausente

Foi um encontro ausente.
Havia gente.
Havia muita gente.
E de repente, foi um encontro de gente ausente.
Durou o tempo da vontade,  e mais não durou porque a vontade se ausentou.
Refugiou-se a vontade na força do caráter , e não abriu caminhos para serem percorridos.
Havia gente.
Havia muita gente.
Foi um encontro........ .

Lisboa, 8 de novembro de 2017